Dia Internacional da Mulher: a força e poder feminino no futebol americano

 

Hoje é um dia muito importante para todas nós, mulheres e amantes da bola oval.

O NFL de Bolsa conversou com a Flávia Clemente. Não sabe quem é ela? Nós apresentamos: ela é a vice-presidente da Federação Paranaense de Futebol Americano, considerada uma das melhores do Brasil. Um papo interessante que nos mostra uma mulher determinada e focada, além de super atenciosa.

Que sirva de inspiração para você que está aí quietinha querendo se envolver mas não consegue, por medo de ser discriminada, por não ser bem vista. O futebol americano só cresce entre as mulheres, assim como o nosso espaço no esporte.

O que te motivou a ir para o futebol americano?

Sempre gostei muito de esporte e desde pequena ficava assistindo os jogos de futebol com meu pai. O futebol americano eu via em filmes e seriados, mas não tinha ideia de como era o jogo. Em 2008, minha irmã fez um trabalho na faculdade de jornalismo e o tema foi o futebol americano. Ela fez uma matéria bem legal sobre o primeiro jogo fullpads do Brasil, entre Barigui Crocodiles e Curitiba Brown Spiders. Ali que descobri que existia o FA aqui no Brasil, mas não acompanhava nada. Em 2011 conheci o Valdô [marido da Flávia] e começamos a acompanhar o Brown Spiders a convite do Brantes [jogador do BS na data] que na época estudava comigo. Não largamos mais!

Como é conviver com tanto homem nos bastidores?

Para mim sempre foi bem tranquilo. Quando o Valdô começou a treinar, eu sempre estava com ele e acabei fazendo amizade com os meninos, que sempre me trataram com muito respeito. Já fui a única mulher numa viagem para algum jogo e também já fui a única mulher na diretoria do BS. Não sou vista como menos nem mais do que ninguém, apenas mais uma fã de FA.

Já sentiu algum tipo de machismo no meio do FA?

Se eu disser que nunca, estaria mentindo, mas nunca foi nada pesado. Um olhar estranho quando eu chegava, ou uma piadinha quando dizia que era da Federação. Ainda tem muita gente que acha que mulher no FA são só aquelas que jogam o Lingerie Football League e infelizmente acho que ainda temos um longo caminho pela frente, para mostrarmos que viemos para ficar.

Qual seu time na NFL?

Para ninguém poder dizer que é “modinha”, torço (e sofro) pelo New York Jets!

E seu time no futebol americano aqui no Brasil?

Não é segredo para ninguém que torço pro Brown Spiders, mas consigo separar bem as coisas quando estou trabalhando pela FPFA. Mas sou muito “bairrista”. Se tem algum time do Paraná em campo, a minha torcida vai sempre para eles.

Flávia por Flávia.

Sou muito intensa. Se estou no FA, amo e defendo o esporte. Assim como faço com qualquer outro assunto da minha vida. Não sou de fazer nada mais ou menos, me jogo de cabeça e assumo todos os desafios que aparecem (seja profissionalmente ou na minha vida pessoal). Então às vezes sou vista como chata, briguenta, mas é meu jeito apaixonado pelas coisas que fala mais alto sempre.

Como vê o FABR daqui 5 anos?

Desde o primeiro jogo fullpads em 2008 é visível o salto que o FA deu em nosso país até agora. Acho que em 5 anos temos muito o que melhorar e com as pessoas certas, vamos muito longe. Tem muita gente trabalhando para que o FABR dê certo. Ainda precisamos de mais visibilidade, mais apoio governamental e da mídia tradicional, e acredito que tudo isso vai crescer nos próximos anos.

Acredita na possibilidade do Brasil ser o palco de um jogo oficial da NFL?

Acredito sim. Alguns representantes da NFL estiveram aqui no Brasil em fevereiro e conheceram alguns estádios com estrutura para receber um evento desse porte. O Brasil é um dos principais consumidores de FA no mundo e acho que é só questão de tempo até que isso aconteça.

O que a Federação Paranaense de Futebol Americano representa para você?

A FPFA é um orgulho muito grande para mim. As pessoas que fazem parte dela, fazem isso porque querem ver o FA Paranaense cada dia melhor e se esforçam constantemente para isso. Muitas vezes nosso trabalho fica só nos bastidores, mas estamos sempre buscando o melhor para nossos times. Organizar um campeonato e fazer tudo acontecer é mais complicado do que imaginam, mas quando o juiz apita o final do jogo e vemos que deu tudo certo, é muito gratificante. No ano passado, por exemplo, choveu durante a semana inteira do Paraná Bowl e todos os planos estavam literalmente indo por água abaixo. No sábado, a chuva parou e todo mundo trabalhou muito para conseguirmos organizar tudo para que fosse como o planejado. Ver tanta gente trabalhando pelo outro sem nenhum retorno financeiro em troca, é uma coisa que vem ficando de lado, mas a gente segue fazendo nosso trabalho e acreditando sempre no melhor.

Um recado as mulheres que amam esse esporte e precisam da sua ajuda.

Não deixe que ninguém diga que você não pode falar, jogar ou trabalhar com futebol americano. Não existe mais essa coisa de “esporte para homem” e estamos mostrando isso todos os dias. Estamos em campo como jogadora, na comissão técnica ou na presidência – inclusive de times masculinos. Estamos na organização dos eventos e nos campeonatos. Estamos na sideline fazendo fotos e matérias incríveis e ainda tem muitos espaços para gente ocupar. Não queremos o lugar de ninguém, mas queremos que respeitem nosso espaço, nosso trabalho e, principalmente, que NOS respeitem.

 

Agradecemos à Flávia por sua contribuição ao nosso esporte e obrigada por nunca desistir de lutar!

Feliz Dia Internacional da Mulher para todas nós!

Por Emanuelle Mattos

1 Response
  1. Karin

    Muito bom! Lugar de mulher é onde ela quiser estar! Parabéns pra todas as mulheres do Futebol Americano (estejam ela nas diretorias, nos campos, nas torcidas, nas coberturas…)!

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