Reportagem Especial Outubro Rosa – Mulheres na NFL – Parte 1

Durante todo o mês de outubro, podemos notar diversos acessórios e decorações na cor rosa por parte dos times da NFL, mas você sabe exatamente qual o motivo e qual a campanha por trás de tudo isso?
Os detalhes em rosa fazem parte de uma campanha de conscientização da NFL sobre o câncer de mama. Chamada de “A Crucial Catch”, a campanha é feita em parceria com a American Cancer Society (ACS) e é focada na importância de fazer exames regulares para detectar a doença. Os acessórios da cor rosa, que vão desde o que os jogadores e os técnicos usam até bolas e moedas comemorativas, são leiloados e o dinheiro é revertido para que a Comunidade de Saúde da Associação Americana de Câncer (CHANGE, na sigla em inglês) trabalhe em prol da educação, conscientização e acesso dos exames para comunidades.
Desde 2009, o primeiro ano da campanha da NFL, a liga conseguiu arrecadar mais de 15 milhões de dólares para a campanha, com a maioria da receita vindo da venda de acessórios em rosa e do leilão desses objetos.
Em homenagem à essa campanha que afeta milhares de mulheres em todo mundo, durante o mês de outubro, o NFL de Bolsa fará uma série de reportagens sobre as mulheres que fizeram e fazem história na NFL.
Mas para entender qual a direção que a NFL está tomando com relação a inserção de mulheres na liga, precisamos entender como isso era visto no passado e quais as mudanças que foram efetuadas até os dias de hoje.
Primeiramente, é importante saber que houveram mulheres no passado que ajudaram, e muito, na conscientização da diversidade em um ambiente considerado predominantemente masculino, e aqui falamos não só referente aos atletas, mas toda a comissão técnica e níveis gerenciais.
A primeira mulher da lista é SUSAN SPENCER:

Filha do dono dos Eagles (Leonard Tose) na década de 1980, Spencer é pouco lembrada como parte da história da NFL, mas sua importância é vital para a mudança de paradigmas que houve desde então. Ela era vice-presidente, conselheira legal e trabalhava como gerente geral do Philadelphia Eagles. Até hoje ela foi a única mulher que ocupou essa posição na história da liga.
"As equipes não têm um problema com as mulheres no escritório quando se refere ao negócio", diz ela. "O problema acontece quando as mulheres querem se envolver nas decisões do futebol. Os donos das franquias não querem que as mulheres tomem essas decisões”.
Quando Spencer começou a análise de alguns dados financeiros da equipe dos Eagles, notou que eles estavam gastando mais do que podiam, mas foi ignorada pelos executivos da equipe, e até mesmo pelo seu pai.
Durante anos, Spencer executou operações diárias referente a negócios nos Eagles. Surpreendentemente, isso não se tornou oficialmente público na época, porque seu pai, como muitos homens de sua geração, acreditava que o papel de uma mulher era em casa, cuidando das crianças e não queria que as pessoas soubessem que ela estava gerenciando a equipe.
No entanto, isso viria à tona à partir do momento que Spencer promulgou uma série de iniciativas para manter a equipe financeiramente saudável. Ela optou por contratar um avião menor, apenas para jogadores e equipe técnica (ao invés das famílias e meios de comunicação, que era feito em um avião maior). Aumentou os preços dos ingressos dos jogos e substituiu a lagosta e o filé mignon na área de refeições para a mídia no Veterans Stadium em dias de jogo por sanduíches de carne com queijo e cachorros-quentes.
A mídia deu a ela o apelido sexista "A Bruxa Malvada do Vet." Um colunista certa vez chamou a graduada em direito de "apenas mais um bimbo inútil." (Bimbo é uma gíria depreciativa para uma mulher atraente, mas não inteligente).
A verdade é que as medidas de Spencer pouparam dinheiro, e modernizaram a forma como os Eagles usavam esse dinheiro, que estava à frente do seu tempo, mas que agora são consideradas técnicas comuns.

Porém não se deu muita importância a essas ações na época. Quando Spencer foi convidada ao Filadélfia Maxwell Football Club, e apresentada aos fãs, ela foi vaiada. Foi tão ruim que George H. W. Bush, que estava lá, aproximou-se dela depois e disse: "Você se saiu bem, eu fui vaiado assim antes e não soube lidar com isso tão bem quanto você."
"Um dos problemas para as mulheres no futebol é que elas são vistas como sendo incapazes de treinar um time, porque não jogam futebol. Isso é errado, mas é assim que é visto."
Grande parte da cultura NFL na época de Spencer ainda era anti-mulher. Os jogadores que cometeram atos de violência contra as mulheres enfrentaram pouca ou nenhuma punição.
Quando Spencer participou de reuniões da liga, ela se lembra de que, ocasionalmente, os proprietários – casados e solteiros – costumava colocar notas debaixo de sua porta ou bater. Às vezes, as notas e batidas na porta iam até tarde da noite. Ela ignorava.
"Os proprietários iam sempre à procura de algo mais", disse Spencer, "mas eu era uma profissional."

Spencer passou por uma situação interessante e no mínimo um divisor de águas em sua carreira nos Eagles. Uma tarde, Spencer foi até o estádio do time para verificar alguns equipamentos de reabilitação, e o acesso a essa área era apenas através do vestiário. Ela geralmente entrava lá, mas era offseason e não era esperado que houvesse nenhum jogador no momento.
Ela entrou no vestiário e haviam 5 jogadores pelados, que haviam acabado de tomar banho, e cada um deles pegou rapidamente sua toalha. Mas um deles teve uma idéia diferente, ele disse aos outros: “No 3, soltem suas toalhas. Um, dois…”, e as toalhas se soltaram.
Ela disse depois que ficou constrangida e muito brava por eles tentarem humilhá-la daquela maneira, mas que não os deixaria saber disso. Então, ao invés de falar algo a respeito, ela foi até o jogador que incentivou tal ato, ficou a poucos centímetros do seu rosto. Olhou o jogador de cima a baixo, focando em suas “partes privadas” por uns instantes. Depois, virou as costas, e antes de sair do vestiário, olhou para outros jogadores e disse: “Grande coisa” (em tom de desdém).
Foi uma atitude de mestre, na qual ela virou o jogo, e não havia melhor maneira para ter reagido a essa situação. Os outros jogadores riram muito do outro jogador que ficou conhecido como “Grande Coisa” pelo resto da temporada, e isso não era um elogio.
Esta história é engraçada, claro, mas também é importante. Mulheres como Spencer lutaram batalhas praticamente esquecidas para ajudar a posicionar a mulher na NFL onde está. Elas foram a base.

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