5 COISAS QUE DESCOBRIMOS COM A SEMANA 5

1. A posição de Kicker é injusta

No texto “5 Coisas que descobrimos com a Semana 2”, comentei como achava a posição de kicker a mais injusta da NFL e esta semana a demissão de Cairo Santos corrobora minha tese. O brasileiro errou 4 field goals na partida contra o Buffalo Bills, ocasionando a derrota do Tennesse Titans e, consequentemente, o péssimo desempenho resultou na sua dispensa. Sabemos que a NFL é muito dura com os seus jogadores, a principal regra do capitalismo impera nestes momentos: não tá produzindo, até mais. Para completar, a lei da oferta e da demanda também age com força. Tudo isso força os atletas a terem um rendimento em alto nível o tempo inteiro se quiserem manter seus empregos, mas com o kicker essa exigência é muito maior. Como já comentei, ele pode levar o time ao céu ou ao inferno num chute e se o caminho for o segundo, a chance dele ir junto é muito maior do que nas outras posições. Não há muito espaço para dias ruins como existe para um quarterback, por exemplo, que pode tentar se redimir nos próximos jogos. A oferta é grande e não vale a pena manter no elenco jogador que não produz como deveria. Chutes que dão a vitória são lembrados e comemorados, mas no fundo é aquela máxima de “não fez mais do que a obrigação”, chutes que causam derrotas são o caminho para o fim do contrato.

 

2. O Washington Redskins está virando a página

Pegando o embalo do ponto anterior, quero destacar que nem a comissão técnica está garantida quando a questão é baixo desempenho, ainda que a temporada já tenha começado. Nos outros esportes com campeonatos mais longos, é comum vermos técnicos serem trocados, mas isso não acontece com frequência na NFL devido à curta temporada da liga. Normalmente, durante a offseason, a comissão técnica é formada e a confiança se mantém até o fim, mas até mesmo eles, em alguns casos, estão sujeitos a mudanças quando o assunto é produtividade. Se você imaginou que estou falando de Jay Gruden, acertou! O ex Head Coach dos Redskins assumiu o cargo em 2014 e nesse período conquistou apenas um título de divisão e uma aparição em playoffs, com uma amargurada campanha 9-7, a melhor durante os quase seis anos no comando da equipe, não alcançando nem 50% de vitórias. A gota d’água para antecipar sua demissão veio com a derrota para os Patriots esta semana, quando decidiu entrar em campo com o quarterback Colt McCoy e não apostar no calouro Dwayne Haskins, escolha de primeira rodada do Draft. Talvez a maior crítica a Gruden não seja o fato de não ter iniciado a partida com Haskins, mas o de não ter uma estratégia clara para equipe. Ok, ok, os Redskins sofreram com perdas importantes, mas ainda assim não há justificativa para que o técnico não tenha uma estrutura de jogo que leve isto em consideração, nem aparente ter um projeto para a equipe. E não me diga que é a longo prazo pois esse prazo já se passou. Demitir Gruden ainda durante a temporada foi a melhor decisão para os Redskins e dará um tempo maior para se estruturarem e conseguirem planejar o futuro com o próximo técnico, claramente mudando toda equipe tanto dentro quanto fora de campo. Alô, alô Jerry Jones, isto serve para Jason “Clap” Garrett também.

 

3. Quem espera sempre alcança

Na década de 90 a divisão Oeste da NFC foi praticamente dominada pelo San Francisco 49ers. Em 10 anos, apenas em dois a equipe não chegou aos playoffs. Com a virada para os anos 2000, o time passou a enfrentar diversos problemas. O maior deles começou na dificuldade em encontrar um técnico: Dennis Erickson, Mike Nolan, Mike Singletary Jim Harbaugh, Jim Tomsula e Chip Kelly são alguns dos Head Coaches que passaram por San Francisco nos últimos anos. Outra dificuldade foi a de encontrar um quarterback para chamar de seu. Em 2011 e 2012, no comando de Harbaugh, as coisas pareciam que iam engrenar. A chegada de Colin Kaepernick trouxe esperanças para o torcedor de que estaria nascendo uma nova era, entretanto não foi isso que aconteceu. As polêmicas envolvendo o quarterback e a saída do técnico jogaram um balde de água fria nos fãs. Até que Kyle Shanahan chegou para comandar o time e trouxe consigo Jimmy Garoppolo. Esperanças renovadas? Sim, até Garoppolo se machucar no início da temporada passada. Após o torcedor esperar praticamente 20 anos para ver o time competitivo outra vez, parece que a espera finalmente chegou ao fim. Os Niners estão jogando em alto nível e são os grandes favoritos a levarem a divisão. Arrisco dizer que seja a divisão mais disputada da NFL com outros dois times fortíssimos, Rams e Seahawks. Após tantas incertezas, a certeza de que seu time está entrando nos eixos traz um alívio para o torcedor. Aproveito para deixar um abraço para meu grande amigo Gabriel, torcedor dos Niners, que depois de tanto tempo, agora pode voltar a sorrir novamente e vive todo alegre no grupo.

 

4. A importância do psicológico em campo

Treino, trabalho duro, bons jogadores, planejamento técnico, estratégia, o conjunto desses fatores contribuem significativamente para vitórias, certo? Certo. E na hora que equipes boas enfrentam outras igualmente boas, o que vai pesar? O preparo psicológico e entrosamento de cada uma. Esta semana tivemos alguns exemplos de times que estão bem preparados nesse quesito e outros que não. Na NFC, o trabalho de Sean Peyton para deixar a equipe dos Saints bem estruturada está dando resultado demais. A união da equipe é perceptível. Já na AFC, Frank Reich também está fazendo isso com maestria, pois a aposentadoria de Andrew Luck poderia ter abalado seriamente a motivação dos jogadores, mas o time dos Colts se manteve firme e está mais unido do que nunca. Por outro lado, a saída de Big Ben na temporada, bem como os bastidores com a novela de Antonio Brown e Le’Veon Bell desestruturaram completamente os Steelers. Observando do ponto de vista individual, o time ainda tem bons jogadores, Juju e Conner são bons exemplos, mas parece que Mike Tomlin perdeu o controle dessa parte interna. O mesmo vale para o Dallas Cowboys. A derrota anterior para os Saints parece que foi sentida e se refletiu no jogo contra os Packers nesta semana, o momento que deveria ser de redenção em frente à sua torcida mostrou a desestrutura emocional da equipe. O equilíbrio emocional e um psicológico estável fazem diferença em momentos cruciais em jogos importantes e isso vem da comissão técnica, principalmente, do head coach.

 

5. “Ataques ganham jogos, defesas campeonatos”

Uma vez conversei com amigo sobre este ditado popular no futebol americano e ele discordava disso, tentou me convencer que um ataque eficiente pode sim levar o time ao título ainda que a defesa não jogue bem. Comecei então a observar para ver se a tese dele era comprovada e, sinceramente, não logrou êxito. Óbvio que o ideal é ter um equilíbrio entre os dois, mas vamos analisar cenários em que um dos lados pese mais na balança. Vou pegar dois times nesta temporada como exemplo, Kansas City Chiefs e Buffalo Bills. O primeiro está com uma média de 29.6 pontos por jogo, em compensação a defesa cede 22.6. O segundo está com míseros 18 pontos por jogo, mas cede apenas 14. Esta semana, os Chiefs enfrentaram os Colts e perderam por 13 a 19. Observe que o número de pontos cedidos na partida está próximo à média, por outro lado o ataque não produziu, mesmo contra um time que cede 23 pontos por jogo. Por outro lado, os Bills jogaram contra os Titans e ganharam pelo placar de 14 a 7, veja que os números também estão próximos da média, a diferença é que Tennessee tem a 6ª melhor defesa com 15.2 pontos por partida e ainda assim o time saiu com a vitória, mesmo o ataque não sendo tão formidável. O ponto aqui é: não adianta o ataque marcar 40 pontos, se a defesa ceder uma média de 30, porque quando este mesmo ataque jogar contra uma defesa melhor estruturada, os 40 vão cair para 10 e a defesa que cede 30, ainda que jogue contra um ataque não tão bom, provavelmente cederá uns 20 pontos. Aí, caro leitor, a derrota será certa. Como este assunto é polêmico, gostaria de saber a opinião de vocês, deixem aí nos comentários para debatermos o assunto.

Por Emmanuele Alves

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